domingo, 1 de fevereiro de 2009

O Que Pode Fazer a Sociedade Civil pela Cultura?

Falta de dinamismo,pouca visibilidade do sector,ausência de investimento,falta de políticas para os vários sectores da vida cultural,falta de infraestruturas culturais (cinemas,teatros,museus,galerias de arte,etc),pouca ou nenhuma formação dos e para os quadros do ministério e para os agentes culturais,a incapacidade de controlar a pirataria,a questão da oficialização do crioulo e,escassez de verbas e ajudas aos artistas e,até,a incompetência do ministro da cultura.São essas,entre outras,as principais critícas que se tem feito ao ministério da cultura e ao seu actual titular.
Contudo,com razão ou não,temos,nós e os agentes culturais,de questionar: o que faz a sociedade civil para dinamizar a cultura em Cabo Verde?
Tivessemos nós mais tradição e hábito em agruparmos em associações,grémios ou movimentos teríamos um sector cultural mais dinámico.È claro que já se faz e já se fez isso e,alguns,com sucesso (o mindelact e os grupos associados é um exemplo).O que temos são inúmeros exemplos de movimentos ou associações com pouco anos ou meses de vida sem chegar a idade adulta.Se calhar,mesmo correndo o risco de estar a ser injusto,essa é uma das nossas principais características:não temos força anímica suficiente para mantermos ao longo dos tempos uma associação de âmbito cultural.Todos que surgem,em pouco tempo,desapareçem maioritariamente por "falta de comparência".Imaginem o que podería fazer pelo cinema uma Associação Caboverdiana do Cinema e Teatro (que juntasse os profissionais e os consumidores),uma Organização Nacional de Músicos (que podia ajudar na agenda dos festivais ou ajudar e apoiar os músicos),uma Organização de Livreiros e Editores,etc,etc.
Não teriam todos,em conjunto,maior poder de pressão e influência junto do ministério da cultura?As empresas não apoiariam mais fácilmente uma associação em detrimento de um artista individual,beneficiano assim da lei do mecenato?E o mediador que o Abrãao diz estarmos a precisar,não é uma figura tipo um curador de arte ou crítico literário/música/cinema/arte (faz falta um curador e críticos qualificados em CV);esse mediador,fruto do baixo nível cultural do país, é algo ainda incipiente em Cabo Verde: o mercado (o mercado cultural,se quisermos).È o mercado que faz a mediação entre a mediocridade e a excelência em cada segmento cultural.
Temos todos,nós e os artistas,criticando e agindo individualmente e,aparentemente,sem resultados.Que tal se tentarmos criticar e agir colectivamente através de associações de cada sector cultural?E,para ter maior peso,criar uma rede de acção cultural que engloba todos os sectores da vida vida cultural?

sábado, 31 de janeiro de 2009

1+1=1 ou 1-1=1

A disponibilidade do dr.José Luis Livramento afirmou para ser candidato à presidência do MPD é algo muito positivo para a democracia interna do partido e até para a dinâmica política do país.
Contudo,mesmo que seja compreensível se estivermos a pensar na unidade do partido,acho "engraçado" a estratégia que muitos políticos utilizam quando querem se candidatar a presidência dum partido qualquer: "não vou candidatar-me contra ninguêm".Ou seja,José Luis Livramento não vai-se candidatar contra o Jorge Santos "mas sim a favor do MPD e de Cabo Verde" porque até acha que este tem perfil para ser um 1º ministro.Então quem será o seu adversário?Se não é contra o Jorge Santos,só deve ser contra o Fernando Elísio ou,preparando o terreno,contra o Ulisses.E o candidato,como nós,espera que a sua candidatura não afecte o bom ambiente interno no partido.Não valia mais a pena dizer claramente que não está satisfeito com a actual liderança,que o partido pode e deve fazer mais e que,por isso,acha que ele pode fazer melhor e tem melhores condições de levar o seu partido ao poder?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cenas do Palco Internacional

No dia em que Lula anunciou que Dilma Roussef será a próxima candidata do PT a presidência do Brasil e em que o primeiro-ministro  da Turquia,Recep Erdogan,foi recebido em opoteose na sua terra por ter abandonado o fórum mundial de Davos após ter sido interrompido quando acusava directamente o presidente de Israel,Shimon Perez,pelas atrocidades cometidas na Palestina,ficamos a saber que o líder do Hamas proclamou vitória na guerra contra Israel,que Fidel Castro,após acusar Obama de estar ao lado de Israel,exige ao presidente dos EUA a devolução de Guantánamo a Cuba e que,finalmente,os 2 maiores partidos em Zimbabwe chegaram a um acordo para formarem um governo de união.Enfim,com as novas manifestaçãoes violenta em Madágascar,concluimos que este mundo é tudo menos aquilo que o Nhu Naxu previu que,cautelosamente,vou ter de pedir conselhos ao Kaká Barboza,o verdadeio herdeiro do Nhu Naxu.Ou então,acomodar-me na típica apatia crioula.Bom,bom mesmo,foi a inciativa da chanceler alemã,Angela Merkel,em defender a criação de Conselho Económico nas Nações Unidas

Será por ser Mulher ou por ser Lésbica?

"Islândia deverá ter a primeira chefe de Governo lésbica do mundo".Este é o título de uma noticía do público online de hoje.Lendo a notícia ficamos a saber que,provavelmente,a próxima primeira-ministra da Islândia será Johanna Sigurdardottir,66 anos e lésbica assumida.Contudo,ficamos sem saber se a noticia foi destaque por ela ser uma mulher que será a próxima primeiria-ministra ou se foi destaque por ser uma lésbica assumida.Daqui do nosso lado,congratulamo-nos por essa noticia porque o Mundo precisa urgentemente de mais mulheres a frente do poder politico e económico mundial.Independemente da sua orientação sexual...o que achas Eurídice?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ProvoKason!

Vários blogues deram imenso destaque ao texto "E se Obama fosse Africano?" do Mia Couto,inclusive o nosso Café Margoso.No entanto,quando uma outra africana,também ilustre,escreve um outro texto,claramente contrariando o Mia Couto,dizendo que existem "vários Obamas" em África e salientando a necessidade de olhar para África sem preconceito,o destaque foi completamente diferente.Principalmente daqueles que antes enalteceram o texto do Mia Couto.Do nosso lado tenho de parabenizar o "Os Momentos" e a "Igualdade na Diferença".Sempre gostaria de saber o pensamento dos que antes congratularam o texto do Mia Couto...

Impressões

A discussão gerada no Bianda e no Café Margoso por causa do »caso Murdeira» deixou-me algumas impressões:
 
   1) viver num Estado de Direito não é e nem deve ser sinónimo de viver num Estado de Ditadura do Direito,principalmente quando sabemos que o nosso legislador preocupa-se muito pouco em basear em estudos cientificos de carácter sociológico,antropológico ou económico da nossa sociedade para elaborar as leis (bem sei que,durante a formação académica,não aprendem isso mas para elaborarem leis bem feitas urge trabalhar conjuntamente com outras áreas de saber).A lei nem sempre está bem feita e,muitas vezes,não está em consonância com a realidade social do país;portanto há que saber relativizar a força das leis;
    2) da leitura dos comentários nos 2 blogues,principalmente dos supostos técnicos do ministério do ambiente,fiquei com a impressão de a componente sociólogica do estudo de impacto ambiental não foi tido nem achado.Ou seja,esse estudo do impacto ambiental foi feita apenas com a parte técnico-ambiental e económico?Parece-me evidente os resultados desses aspectos do estudo;mas,e o resultado do impacto sociológico,qual foi?Alguêm saberá responder-me?

1 Milhão nas Ruas de França

18.000 em Orléans,10.000 em Marselha,também 10.000 em Bordeaux,30.000 nas ruas de Lyon e 300.000 (ou 65.000) em Paris.Esses são os números,provisórios,da manisfestação e greve que está ainda a decorrer em França.Uma greve geral contra as medidas do governo e contra a crise mundial.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jogo Político

Este artigo do João Dono,onde é elencado uma lista de putativos líder do MPD pós-Jorge Santos,é elucidativo da lógica de funcionamento interno de qualquer partido e da situação actual do MPD.
Qualquer partido na oposição está constantemente sujeito à uma "guerrilha interna" porque os dirigentes e os militantes de base,longe do poder,nunca estarão satisfeito com a direcção enquanto não se sentir "no ar" o «cheiro do poder».Daí essa procura incessante de um novo líder,capaz de,no minímo,galvanizar as bases.Por outro lado,a quantidade de nomes,entre "barões" e "condes",ilustra a fragilidade da identidade colectiva do partido (sem contar com a inconsistência ideológica,até hoje por resolver).Muitos dos nomes avançados como "elegíveis" para a liderença do MPD não parecem interessados ou simplesmente não têm coragem para avançar por uma motivo bastante simples: sabem que será extremamente difícil vencer JMN nas urnas!Por isso,mais vale "queimar" mais um líder e esperar pela melhor altura.E se tudo isso não está acontecendo no PAICV deve-se simplesmente ao facto do seu actual líder estar no governo;mas,usufruindo "calado" das benesses do poder,os vários grupos internos concorrentes estão lá,à espreita da queda ou da saída do JMN.

Isto é Arte!










Julian Beever