quinta-feira, 30 de junho de 2011

É o poder!

"José Maria Neves. "Anúncio de último mandato aguçou apetites internos"diz o Primeiro-Ministro, neste exclusivo ao Expresso das Ilhas, onde admite que talvez não haja ainda maturidade organizacional para determinadas declarações em Cabo Verde. O chefe do governo reconhece que hoje não teria comunicado essa decisão tão cedo e deixa no ar a possibilidade de voltar atrás".


Ao anunciar que este vai ser o último mandato,José Maria Neves não só aguçou apetites interno como despertou e fez antecipar a luta interna no partido.Não concordo com o 1º ministro num ponto: o que se passa  no PAICV não tem rigorosamente nada a ver com a maturidade organizacional do partido.Pelo menos,por enquanto.Qualquer organização,seja de cariz político,não-governamental ou empresarial,passa por processos semelhantes,está na sua natureza.A coisa é bem mais simples: a reacção do partido ao anúncio deve-se à inevitável guerra pelo poder que,mais cedo ou mais tarde,não havia como fugir,ia despoletar no seio do partido.Foi o que aconteceu quando JMN candidatou-se contra Pedro Pires ou contra Filú pela liderança do partido;foi o que aconteceu no MPD.O poder e,consequentemente,a luta pelo poder,está entranhada no mais pequeno pormenor da vida em sociedade.A maturidade organizacional do partido,enquanto organização,vai-se fazer sentir na forma como o partido sair dessa disputa interna.O partido vai-se manter unido?Vai haver expulsões ou cisão?Só respondendo a essas perguntas é que podemos dizer se um partido é ou não maturo em termos organizacionais.

O que fazer?

Os contribuintes cabo-verdianos estão a sustentar a sobrevivência de empresas públicas inviáveis e a garantir emprego a inúmeros trabalhadores que,de outra forma,estariam no desemprego.É o caso da Electra!Se a empresa tem um problema de tesouraria como diz o primeiro-ministro,cabe ao Estado accionista resolver esse problema,de uma forma ou de outra,via empréstimo bancário ou aumentando o capital ou ainda re-privatizando a empresa.Não,os contribuintes não são passivos ou indiferentes;na verdade,os contribuintes cabo-verdianos estão "fodidos e mal pagos",que me desculpem a expressão.Só uma falta de alternativa e a ausência da concorrência explica o a passividade e a indiferença.Enquanto os contribuintes cumprem a sua obrigação e os clientes da empresa pagam a factura de um serviço mal prestado,os deputados na Assembleia Nacional discutem o sexo dos anjos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Secretária do Estado de Empreendedorismo, Competitividade e Inovação

O novo governo português e o novo ministro da economia em Portugal mostram que querem ir para além da retórica que se limita ao discurso teórico dos benefícios da inovação e do empreendedorismo para a competitividade da economia de um país. É de louvar a criação dessa Secretária do Estado, porque é preciso organizar o apoio público ao empreendedorismo e a inovação. Ir além da retórica. Infelizmente, em Cabo Verde ainda não saímos desse registo: no que diz respeito ao empreendedorismo e, principalmente, a inovação é, pelo menos por enquanto, só retórica. E não é por não existir uma Secretária de Estado para esses sectores; é simplesmente por uma questão de políticas. Ou da inexistência dessas políticas. Podemos afirmar que a introdução da educação para empreendedorismo nas escola e a isenção fiscal às novas empresas são medidas de politicas de apoio ao empreendedorismo mas, quem saberá indicar  uma medida de politicas de inovação? O primeiro-ministro fala tanto na inovação mas,quais são as percentagens do orçamento público e do orçamento do ministério da tutela para a inovação?

Uma perguntinha

Independentemente da decisão da Comissão Nacional do partido, independentemente dos procedimentos formais, perante a actual divisão entre os militantes, porque razão a direcção do PAICV não dá liberdade de votos aos militantes do partido?

Dívida Pública

Mais valia ao governo reconhecer que a dívida pública é um problema e que está a ser encarada com preocupação. Por todas as razões, um país excessivamente endividada terá mais dificuldade em contrair novos empréstimos e, quando conseguir, será com juros mais alto. Um pouco por toda a parte vem se defendendo a introdução de limitação ao endividamento público nas respectivas constituições.Mesmo porque, trata-se de um acto de solidariedade geracional: até que ponto é moralmente tolerável a regra não escrita cuja prática traduz-se no endividamento ilimitado por parte de governos porque "quem vem atrás paga a dívida"?

Sondagem na Forcv


Num país “normal”, num país onde as sondagens e empresas de sondagens cumprem regras e são alvos de regulação, esta sondagem elaborado por um professor universitário seria, no mínimo, ilegal e, por isso, o jornal online e o autor da sondagem seriam alvos de multa. Como é possível qualquer pessoa, mesmo que tenha conhecimento técnicos, fazer sondagens a seu belo prazer? Por alguma razão, por toda a parte as sondagens são feitas por empresas licenciadas para isso e não por pessoas em nome individual. Quase em toda a parte, porque em CV qualquer um,empresa ou um entendido na matéria, pode fazer sondagens e publicar o resultado…

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Má língua

"Quando só se tem um martelo, todos os problemas parecem um prego.Esta frase, espirituosa, descreve bem a propensão que temos para reduzir qualquer questão à nossa área de saber ou interesse. Ou seja, para simplificar o que é complexo. Veja-se, a título de exemplo, o debate sobre o nunca resolvido tráfego automóvel nas cidades. Para um arquiteto o problema resolve-se com o desenho urbano; para um engenheiro com túneis e viadutos; para um académico com um modelo estatístico; para um ambientalista eliminando os carros; para um economista com taxas; para um político com discursos.(...).Embora não pareça, vem isto a propósito das primeiras declarações do novel secretário de estado da cultura, o escritor Francisco José Viegas. Afirma ele que vai dar prioridade à promoção da língua e do livro. Ou seja, temos martelo.Homem da escrita e dos livros é perfeitamente natural que considere a língua como a coisa mais importante da política cultural do Governo.(...).Há muito que a língua deu lugar à comunicação. Num ambiente tecnológico de permanentes contaminações e mutações, a língua pensada como identidade não existe mais. Hoje pouco importa em que língua se escreve ou se fala, ou tão-pouco como se escreve ou se verbaliza. A comunicação é tudo. Pode ser produzida de múltiplas maneiras, combinando línguas e linguagens, misturando palavras e imagens, criando situações e interações.(...).Por isso nunca entendi esta obsessão na promoção da língua portuguesa que tanto anima a vasta maioria da nossa intelectualidade. Julgo que se deve, paradoxalmente, à decadência cultural. A esse caldo de ideias, entre o saudosismo piegas e o reacionarismo rude, que se deleita na evocação dos descobrimentos, dos grandes feitos de antanho e da língua pátria de Fernando Pessoa, mas se recusa a encarar o presente.(...).Contudo, nestas coisas é bom ser pragmático. A questão não está em escrever ou falar português, mas em dizer o quê?(...).A promoção da língua, como trave mestra de qualquer política cultural, representa uma forma de reducionismo da complexidade cultural em que vivemos. Em si não representa nada, nem alcança nada. O que importa mesmo é o que temos para dizer e não a língua em que o fazemos". Leonel Moura

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Estudo sobre a Situação das Famílias das Crianças em Risco"

"A maioria das crianças em situações de riscos provêm de famílias ou de agregados familiares que vivem em alguma precariedade habitacional, e com baixo nível de escolaridade";

Alguma novidade?Alguma coisa que qualquer leigo já não soubesse sem efectuar qualquer tipo de inquirição cientifica?Se recentemente já tinha sido efectuado estudos sobre este mesmo tema,foi preciso fazer mais um estudo,ainda por cima com recurso à consultor externo,para se chegar a conclusões como essas?
Não conheço o estudo,não sei se essas são as principais conclusões mas,de qualquer maneira,foram as que o jornal destacou.A ser isso,só posso dizer que também é por estudos como estes que muita gente diz que os sociólogos (pelo menos,muitos deles) só dizem o óbvio.Um sociólogo não pode contentar-se apenas em descobrir regularidades estatística nos fenómenos sociais ou um padrão nos comportamentos.Há por aí muita falta daquilo que Wright Mills chamou de imaginação sociológica.

Justice: What's The Right Thing To Do? Episode 02: "PUTTING A PRICE TAG ON LIFE"



A análise custo-beneficio analisado de um ponto de vista filosófico (com legenda).