segunda-feira, 15 de março de 2010

O PAICV e os seus pré-candidatos

O presidente do PAICV tem um problema bicudo para resolver: escolher um candidato presidencial que o partido vai apoiar.Aristides Lima, Manuel Inocêncio ou David H. Almada? Todos os 3 são pré-candidatos, estão activos no terreno e não demonstram vontade ou intenção de desistirem da candidatura. Desavenças, sentimentos de traição, divisões e muito jogos de bastidores serão a imagem do partido nos próximos tempos. O pior cenário será o presidente, a comissão política ou a comissão permanente decidir hierarquicamente qual o candidato a ser apoiado pelo partido (porque responsabilizava apenas a direcção quando essa responsabilidade deve ser de todos os militantes ou porque não evitaria a imagem de que o apoiado foi um “amigo” do presidente do partido). A melhor opção para o presidente do partido, o caminho mais correcto aliás, é dar voz aos militantes do partido de modo a serem eles a decidir o candidato que deve ser apoiado pelo partido: é através das primárias, numa votação interna no país e no estrangeiro, que o partido deve escolher o candidato a apoiar e não apenas com base em jogos de bastidores entre sensibilidades internas e sondagens de popularidade dos disponíveis. Deste modo a responsabilidade da escolha do candidato apoiado não ficaria nas mãos de apenas alguns, incrementava a democracia interna e a participação dos militantes de base nas tomadas de decisão e blindava qualquer tentativa de culpabilização do presidente do partido por parte de qualquer um dos candidatos que não foi apoiado.Assim,aquele que conseguir o apoio do partido será escolhido pelos militantes e não apenas pelos dirigentes do partido.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Seremos todos conservacionistas?

"Na conferência que proferiu na semana passada em Aveiro, o professor Fernando Vallespin, da Universidade Autónoma de Madrid, defendeu que a grande mutação ideológica a que assistimos hoje, depois da crise, ou das várias crises, dos últimos dois anos vai no sentido de nos tornar a todos "conservacionistas". Ou seja, todos os quadrantes ideológicos, de esquerda ou de direita, tenderão a partir de agora a insistir na preservação do que foi adquirido e já não na transformação do existente. Contra a ideologia do futuro melhor e de uma prosperidade sem fim, passará a predominar a defesa do existente: dos níveis de vida já alcançados, do emprego, da segurança, do estado social, dos equilíbrios ambientais.(...).Ou seja, generaliza--se hoje a percepção de que o máximo que podemos conseguir é manter intocado o nosso modo de vida e que não existe já a possibilidade de o melhorar significativamente.(...).Aquilo que as pessoas esperam, com realismo, é apenas não perder demasiados direitos. O que os portugueses querem ouvir dos políticos é uma garantia consistente de que não vão viver pior no futuro - um discurso de apaziguamento, de conservação.(...).No entanto, é necessário introduzir aqui um outro dado. Quando falamos de conservacionismo estamos a falar de Portugal e da Europa, não do mundo em geral. A ideia de mudança e de conquista do futuro já não mora aqui, mas está bem viva no Brasil, em Angola, na China e em vários outros países, sobretudo na Ásia. Não vivemos todos no mesmo momento histórico. Aquilo que nós gostaríamos de conservar é o que outros estão a lutar, com entusiasmo, por alcançar."
João Cardoso Rosas no Ionline

Violentamente Pacífico - RAS Mc Léo Carlos

terça-feira, 9 de março de 2010

Ainda sobre as mulheres...

...todos nós falamos e escrevemos sobretudo da violência doméstica e da participação das mulheres na política.É raro falarmos sobre a igualdade de género no trabalho em Cabo Verde (principalmente sobre a igualdade salarial) e mais raro ainda é escrevermos sobre o assédio sexual no local de trabalho em Cabo Verde;este é tema apenas para o diz-que-disse,apesar de sabermos todos que é uma prática quase "natural" no país e das mais humilhante para as mulheres cabo-verdianas.

sábado, 6 de março de 2010

Origem da Filosofia

"A história é repleta de mentiras bem contadas. Tão bem contadas que soam como verdades inquestionáveis. É o caso da filosofia, que muitos acreditam ter nascido na Grécia. Claro, a Grécia fica na Europa e o que de bom poderia vir de outra parte do mundo antes do descobrimento da América?(...).Só quem ignora a sabedoria da literatura oriental, dos vedas aos textos bíblicos, pode acreditar que a filosofia é filha dos gregos. Como se a lógica e a ética, a matemática e a epistemologia, já não deitassem raízes no pensamento e nos escritos de sábios chineses e indianos, sumérios e egípcios. Se o Oriente fosse tão pouco lógico como tenta impingir-nos a arrogância eurocêntrica, os chineses não teriam inventado a bússola e o timão, o cultivo em fileiras e o alto-forno, a pólvora e o estribo, o mastro múltiplo e o carrinho de mão, o papel e a imprensa (centenas de anos antes de Gutenberg). A filosofia, como busca do conhecimento pela via racional, é tão antiga como o ser humano. Embora tenha alcançado seu esplendor na Grécia, isso não significa que os povos antigos a ignorassem. Nem a ciência, nem a técnica são frutos exclusivos do solo europeu. Os maias, na América Central, detinham conhecimentos científicos, como em matemática e meteorologia, tão precisos como os que são, hoje, comprovados por sofisticados instrumentos."
Frei Bento

terça-feira, 2 de março de 2010

Conferência Internacional de Cidades Inovadoras 2010

Inovação- Curitiba sedia Conferência Internacional de Cidades Inovadoras
Entre os dias 10 e 13 de março, Curitiba receberá mais de 80 especialistas de todo o mundo que irão debater caminhos para a construção de realidades urbanas mais inovadoras, prósperas e humanizadas. Uma iniciativa do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010) trará experiências de sucesso em planejamento urbano, sustentabilidade, mobilidade, gestão e políticas públicas, entre outras, que transformaram cidades em ambientes propícios ao desenvolvimento econômico, social e ambiental.
Entre os nomes de peso que participarão da conferência estão Steve Johnson (EUA), autor de seis best-sellers que influenciaram desde ações de planejamento urbano até a luta contra o terrorismo; Pierre Lévy (Canadá), filósofo que estuda o conceito de inteligência colet iva; Marc Giget (França), diretor-fundador do Instituto Europeu de Estratégias Criativas e Inovação; Jaime Lerner (Brasil), arquiteto e urbanista, ex-prefeito de Curitiba; Jeff Olson (EUA), arquiteto e urbanista envolvido em projetos que contemplam espaços verdes e meios de transporte alternativos; Marc Weiss (EUA), presidente do Global Urban Development e líder do projeto Climate Prosperity; Clay Shirk (EUA), professor de Efeitos Econômicos e Sociais das Tecnologias da Internet e de New Media na New York University; e o arquiteto Mitsuru Senda (Japão). A lista completa e o currículo dos palestrantes estão no site www.cici2010.org.br.

O SECTOR CULTURAL E CRIATIVO...EM PORTUGAL

«O "sector cultural e criativo" foi responsável, em 2006, por 2,8 de toda a riqueza criada em Portugal e, nesse mesmo ano, empregou 127 mil pessoas, cerca de 2,6 por cento do total nacional.
O documento, intitulado O Sector Cultural e Criativo em Portugal, parece dar razão aos que vêm sublinhando que, mesmo do ponto de vista económico, faz sentido investir na cultura, argumento que tem sido muitas vezes invocado para defender o reforço orçamental da respectiva tutela. Não parece ser necessariamente essa, no entanto, a conclusão que Gabriela Canavilhas retira do documento. A ministra da Cultura, que ontem apresentou em Lisboa os resultados deste estudo, afirmou que ele mostra que o sector cultural "tem possibilidades de ser um motor económico", mas viu nele também a confirmação de que é necessário "encontrar caminhos que nos reorientem para outras estratégias que não a subsídio-dependência ou a constante dependência do Orçamento do Estado".Nas suas conclusões, o estudo sugere que "não se deve privilegiar a oferta", mas antes "incentivar a captação e educação de públicos", e deixa um recado aos criadores, propondo-lhes que se habituem "a racionalizar meios e a congregar esforços"».Um pequeno sumário do estudo pode ser encontrado aqui.
Este tipo de estudos tem algumas vantagens,entre eles a de balizar as áreas de intervenção do Estado através do orçamento e,principalmente,permite fundamentar ou desmentir as trivialidades de alguns especialistas em "politicas culturais".
Como não faço ideia se aquele famoso fórum sobre a "economia da cultura" resultou em algum relatório,estudo ou recomendações,fica a pergunta: para quando um estudo sobre o impacto económico da cultura em Cabo Verde?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Competitividade pela inovação

O discurso genérico sobre a competitividade ou a inovação,em si mesmos,não nos dizem nada sobre a realidade social de um país,uma região ou uma empresa.Há várias competitividades e várias inovações.Se um país detém uma massa crítica importante de empresas na primeira linha de inovação tecnológica,é porque tem um forte desenvolvimento científico e uma enorme capacidade de criar e dominar mercados,sobretudo de países que vivem de importação e imitação de tecnologia.Duas outras consequências fortes decorrem do modelo de desenvolvimento baseado no conhecimento: a ciência constitui um novo factor produtivo,a par do capital e do trabalho e as consequências necessárias para sustentar este modelo são completamente diferentes,mas baseados no "trabalho intelectual" e mais exigentes com a formação escolar de base.Vários autores defendem que é possível modernizar os sectores tradicionais pela inovação,com base nos saberes acumulados localmente,o que pressupõe a recomposição da base empresarial ou uma formação adequada para compreender a "Nova Economia" (razão pela qual a ADEI deve ser criar um programa de formação para empresários cujo perfil não se associa ao novo padrão de competitividade).