Em África, todas as manhãs, uma gazela acorda. Sabe que tem de correr mais depressa que o leão, ou será morta. Em África, todas as manhãs, um leão acorda. Sabe que tem de correr mais depressa que a gazela, ou morrerá de fome. Não interessa se és leão ou gazela. Quando o Sol nascer, tens de correr mais depressa...se queres continuar vivo.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Insucesso do Mercado
O caso da falta de transportes para a ilha de Brava, e também para a ilha do Maio, ilustra simultaneamente que o mercado não resolve todos os problemas e que o Estado é necessário onde o mercado falha. Perante as várias tentativas falhadas de resolução do problema, tanto pela via estatal como pela via privada, resta a parceria entre o Estado, a Câmara Munipal e os privados como solução. Como os cidadãos da ilha da Brava, e do Maio, não podem ficar por muito mais tempo isolados e o Estado não pode ficar de mãos amarradas, é aceitável até uma parceria apenas entre o Estado e o município local. É quando o mercado falha que se torna imperativo a intervenção do Estado.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Golden Share
Depois do Tribunal de Justiça Europeu considerar ilegal a golden share do Estado português na Portugal Telecom,estou curioso para saber qual será o desenvolvimento futuro da golden share que o Estado de Cabo Verde detém na Cabo Verde Telecom [Portugal Telecom (40%), Instituto Nacional de Previdência Social (37.9%), Sonangol (5%), Particulares (8.7%), Trabalhadores (5%) e Estado (3.4%)].
IEFP ou IFP?
Definitivamente o IEFP deveria mudar de nome de Instituto de Emprego e Formação Profissional para Instituto Formação Profissional (IFP). Palavras da directora-geral do IEFP ao
jornal A Nação da semana passada.
«A NAÇÃO - Hoje, qual a grande vocação do IEFP?
Fátima Timas - Estamos a passar por um processo de reestruturação de todo sector da formação profissional e emprego. Quando o IEFP foi criado, há 15 anos, as circunstâncias
eram outras. Na altura, o IEFP geria alguns projectos internacionais e dois centros de emprego. Hoje a sua vocação é mais ampla. A reestruturação em curso vai no sentido de adequar a instituição às necessidades e aos desafios da formação profissional na nova era. Assim, o IEFP passa a assumir,de forma clara, a função de execução na formação profissional, deixando a avaliação do sistema para outros organismos que também estão a ser criados no âmbito desse processo,como, por exemplo, a unidade de coordenação do sistema nacional de qualificações profissionais. O IEFP continuará a ter um papel importante na concepção dos instrumentos pedagógicos e na planificação de toda a formação profissional».
Não é que não deve apostar na reestruturação do sistema da formação profissional do país e muito menos que esta reestruturação esteja a correr mal;pelo contrário,segundo noticias que me chegam através dos medias e amigos,tudo indica que a formação profissional tem sido uma aposta ganha.
A questão aqui é a total "ausência" do IEFP no que diz respeito aos problemas do desemprego e no incentivo ao emprego.Afinal,à qual instituição cabe implementar as políticas de emprego do governo?O IEFP certamente tem capacidades para coordenar a implementação de algumas dessas políticas mas,infelizmente,"não está por aí virada". Só não sei se por estratégia da direcção do instituto ou se por ordens da tutela.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Opções
Compreende-se a preocupação do PAICV em "conquistar" os funcionários públicos e a classe média com a ideia da criação do 13º mês (subsídio de natal) mas esta é uma ideia,a meu ver,pouco exequível, pelo menos num futuro próximo. É que, a partir do próximo ano, seja qual for o partido que estiver no governo, vai começar o aperto do cinto à seria de modo a controlarmos as finanças públicas e o défice orçamental. Como baixar o défice orçamental e, ao mesmo tempo, criar o 13ª mês para os funcionários públicos? Como um partido da esquerda moderna, como gosta de dizer o seu presidente,faz mais sentido o PAICV apostar na criação de um seguro de desemprego,que não implica custos para o cofre público uma vez que são os próprios trabalhadores a fazerem os descontos para esse seguro. Cabo Verde tem ainda um “Estado Providência” em “construção” e, por isso, deveríamos aproveitar para evitar os excessos e os erros do Estado Providência dos países mais avançados. O que é mais importante para a sociedade cabo-verdiana no estágio actual do seu desenvolvimento: estipular o subsídio de natal para quem está empregado, como imagina a direcção do PAICV, ou criar um seguro de desemprego para quem, após anos de descontos, teve a infelicidade de ir para o desemprego? Qual destas duas opções implica mais custos para o cofre do Estado e, consequentemente, para o bolso dos contribuintes?
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Democracia e Mediatismo
Mais uma vez o primeiro ministro,José Maria Neves,recusou um debate com o líder da oposição, Carlos Veiga,e mais uma vez muita gente acha essa atitude pouco abonatória para a nossa democracia.É certo que as justificações que JMN apresentou acabaram por provocar ainda mais “espanto” mas acho perfeitamente normal que o primeiro ministro não queira participar num debate público com o líder da oposição nesta altura.Um primeiro ministro,ainda no exercício da sua função,tem de debater com a oposição no parlamento;não estando no parlamento,como é o caso do actual líder da oposição,quem o representa é o líder da bancada parlamentar..Alguém vê o actual líder do PSD,que também não está no parlamento,a exigir um debate com o primeiro ministro José Sócrates?O debate entre a situação e a oposição,através dos respectivos líderes,faz-se no parlamento e o debate entre dois candidatos à chefe do governo faz-se durante as campanhas eleitorais.Para quê serviria um debate agora entre os dois líderes?Apenas para dar mais espaço e visibilidade mediática ao líder da oposição.E é perfeitamente normal que JMN não queira proporcionar essa oportunidade ao CV!Estranho e escandaloso será o líder do PAICV recusar debater com o líder do MPD durante a campanha eleitoral para as próximas legislativas.Isto sim seria um atentado à democracia.O resto,é apenas uma guerra simbólica para as audiências mediáticas!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Marca Cabo Verde

A nível estético o logótipo que vai ser a imagem de marca do país é um primor. Uma marca-país é muito mais do que um simples "jogo publicitário" com o qual se tenta criar artificialmente uma "imagem imaginada" do país para posteriormente ser divulgada no país e além fronteira.A essência de uma marca é a sua identidade e é exactamente por isso que uma marca-país não deve ser gerida como se fosse um produto comercial.Mesmo porque a identidade de um povo não muda ao sabor das estratégias publicitárias: porque essa identidade veiculada pela marca Cabo Verde tem de ser percepcionada internamente e externamente como algo genuíno pelos próprios cabo-verdianos e pelos estrangeiros.A marca-país deve transmitir o que é o país e como são os cabo-verdianos.Qual será a identidade ou o posicionamento da marca Cabo-Verde?A imagem será utilizada em todos os sectores da nossa economia (turismo,agricultura,produtos exportáveis,cultura,etc.) ou será exclusivo para o sector turístico?Faz sentido que a imagem seja única para todos os sectores e que,sector á sector e mercado alvo à mercado alvo,seja veiculada uma identidade de povo ou posicionamento da marca.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Debate entre os líderes da JPAI e da JPD
Só hoje tive vagar para ler o frente a frente entre os líderes da JPAI e da JPD no jornal A Nação de 19/05. No geral, nada de novo: um conjunto de banalidades, lugares comuns e frases feita. No concreto, e apenas a nível teórico, o lidera da JPAI mostrou ser/estar mais bem preparado que o líder da JPD. Tanto um como outro não evidenciaram nenhum pensamento ou ideia estruturada sobre os problemas que a juventude cabo-verdiana enfrenta: tudo o que conseguiram dizer foi debitar ideias gerais com os quais todos concordam, tanto no MPD como no PAICV. Lá abriram o jogo e “confessaram” que a ambição é posicionarem-se desde como possíveis candidatos à líder do partido no futuro. Da entrevista toda retive apenas uma ideia, pela sua originalidade e peculiaridade: a medida proposto pelo líder da JPD em que defende que os partidos com assentos parlamentares serem contemplados por um terreno em cada concelho do país para aí serem construídas uma sede dos partidos.E uma constatação:nenhum deles tem uma causa,nem para estarem na politica e nem para a nossa juventude.
domingo, 20 de junho de 2010
Hábitos Antigos
Algumas noticias recentemente saídas nos jornais vieram mostrar que os nossos responsáveis continuam com algumas práticas,inevitáveis num passado recente,mas hoje em dia desnecessárias e,na maior partes da vezes,evitáveis.São elas: o protocolo entre a Câmara Municipal da Praia e o CESA (Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento) para a realização de um projecto de investigação-acção sobre o impacte comercial e social da construção do novo mercado municipal da Praia (com um custo de 69 mil e 516 euros,para 5 meses de trabalho);a criação do Observatório do Turismo vai ser conduzida pelo instituto de turismo de Portugal,a IPDT (Instituto Planeamento e Desenvolvimento do Turismo);o estudo encomendada pelo Unotur sobre as potencialidades do turismo rural em Cabo Verde foi realizada pela empresa portuguesa WinResources.
Nos casos dos estudos da CMP e da Direcção Geral do Turismo,como entidades públicas que são,deveriam dar o exemplo e efectuar um concurso público para universidades e/ou empresas de consultadoria cabo-verdianas. Estava convencido que, com a proliferação de universidades e centros de investigação académica em CV, estes tipo de situações iam diminuir drasticamente!Só em Santiago existem professores e,pelo menos,4 universidades com capacidade para fazer estudos naquelas áreas.Então,porque não uma universidade cabo-verdiana?Das duas uma:ou os responsáveis públicos ainda não confiam na capacidade cientifica das universidades e dos investigadores cabo-verdianos ou,numa atitude típica,são os centros de investigação das nossas universidades é que são passivos.É que,só no caso do estudo encomendado pela CMP,porque foi noticiada,vai sair do país a maior parte de cerca de 7 mil contos que podiam ir para uma das nossas universidades.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Sociedade Bloqueada
Das várias causas possíveis para o baixo dinamismo da sociedade cabo-verdiana, em termos económico e societal, uma das principais é a fraca mobilidade ou a pouca rotatividade profissional da nossa “elite”. A grande maioria da “elite” cabo-verdiana depende excessivamente do funcionalismo público e perigosamente dos favores partidários. Há aqueles que saltitam entre a política (governos e assembleia) e a função pública (institutos e empresas públicas) e há aqueles que, depois de perder o poder político, optam pelo sector privado mas mantendo os laços com a função pública através de pedidos de licença sem vencimento. Isto levou àquilo que hoje assistimos passivamente: um sociedade bloqueada e, ao contrário do que disse o ex-ministro da Juventude Sidónio Monteiro, com muito poucas oportunidades para os mais jovens. À baixa mobilidade corresponde baixa taxa de novos e jovens dirigentes. Mesmo para os jovens com mais capital humano e, principalmente, para aqueles com mais capital social a via mais rápida e de maior efectividade é a política. Há cada vez mais jovens a entrar nos partidos porque é lá, na política, que se encontra as oportunidades. No fundo, a “circulação” profissional é baixa e as oportunidades profissionais também são baixas porque a sociedade está bloqueada.
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