Em África, todas as manhãs, uma gazela acorda. Sabe que tem de correr mais depressa que o leão, ou será morta. Em África, todas as manhãs, um leão acorda. Sabe que tem de correr mais depressa que a gazela, ou morrerá de fome. Não interessa se és leão ou gazela. Quando o Sol nascer, tens de correr mais depressa...se queres continuar vivo.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Sobre o debate presidencial
Só ontem consegui ver o debate entre os candidatos presidenciais e,sinceramente,não sei como é que qualquer pessoa pode dizer que houve um claro "vencedor".O vencedor foi aquele que falou mais claro e sem titubear?Foi aquele que esteve mais à vontade ou menos hirto?Foi aquele que "encarou os expectadores olhos nos olhos" em vez daquele que não conseguiu encarar a câmara? O formato não ajudou:em debates desse tipo,principalmente com muitos candidatos,só uma prestação desastrosa dos outros candidatos é que pode ajudar aquele que esteve bem a destacar-se;quando todos estiverem dentro do nível esperado,como foi o caso deste debate,é quase impossível dizer que há um claro vencedor.É quase impossível,logo,há sempre aqueles que conseguem encontrar o "seu" vencedor e,para isso,utilizam vários critérios de avaliação que,na sua grande maioria,são todas subjectivas.O mais comum é escolher aquele de quem mais gostamos como sendo o vencedor do debate;neste caso,escolhemos como vencedor o candidato que apoiamos e,consequentemente,cabe-nos encontrar argumentos para justificar a nossa escolha pré-determinada.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Cidadaniamômetro
A guerra pelo domínio do epíteto "cidadania" só pode ser explicado pela completa partidarização da sociedade.Até parece que,o próximo presidente vai ser aquele que conseguir provar que a sua candidatura tem mais marca da cidadania do que marca partidaria.Daqui a 4 anos um politólogo tem de inventar um modelo teórico e metodológico para medir o grau de cidadania de cada candidatura presidencial.Fica mais fácil prever o vencedor das eleições presidênciais.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
PAICV vs. Aristides Lima
De tanto ouvir e ler,de uma lado,o argumento de que Aristides Lima "não cumpriu as regras do jogo democrático" ou de que ele "faltou à palavra dada quando aceitou solicitar apoio na Comissão Nacional do partido" e de tanto ouvir,do outro lado,de que "Aristides Lima não foi pedir autorização à CN mas sim apoio" já era altura de alguém esclarecer: o regulamento da CN previa ou não a desistência do pré-candidato que não obtivesse o apoio do partido?Antes da votação,ficou claro que aqueles que não conseguissem o apoio deveriam desistir da sua candidatura?
Não é o resultado dessa reunião que está em causa;o que está em causa é a legitimidade do cidadão Aristides Lima candidatar-se ou não (e,já agora,também de David H. Almada).Ora,se no regulamento não é referenciado a desistência daqueles que não conseguirem apoio do partido,porquê a acusação de "falta de palavra" por parte de AL?Afinal,a palavra dada era apenas sujeitar-se à um processo de escolha do candidato a apoiar.A provar que não existia essa regra,os apoiantes do candidato apoiado pelo PAICV perdem a razão e legitimidade de acusar AL de "falta de palavra";podem acusa-lo de traição ao partido,mas não de falta de palavra.É,por isso,incompreensível essa estratégia do partido;mas valia centrar a atenção no candidato que apoia em detrimento da "marcação cerrada" ao AL (aliás,é compreensível se tivermos em conta que o que está em jogo é muito mais do que a "rebeldia" de um militante).Se,pelo contrário,era do conhecimento dos 3 pré-candidatos que quem não conseguisse o apoio tinha de desistir e,mesmo assim,AL avançou com a candidatura,a única saída que lhe restava,a ele AL, era desvincular-se do partido.Afinal,o partido não pode estar sempre e em qualquer circunstâncias acima do cidadão - precisamente, o tema principal que o candidato Aristides Lima vem explorando, a dignidade humana, no fundo, tem a ver com essa dialéctica partido/indivíduo.O que temos visto é que os partidos não deixam espaço para o livro arbítrio,e lidam mal com isso.Mas,infelizmente,isso não é novidade nenhum!
Não é o resultado dessa reunião que está em causa;o que está em causa é a legitimidade do cidadão Aristides Lima candidatar-se ou não (e,já agora,também de David H. Almada).Ora,se no regulamento não é referenciado a desistência daqueles que não conseguirem apoio do partido,porquê a acusação de "falta de palavra" por parte de AL?Afinal,a palavra dada era apenas sujeitar-se à um processo de escolha do candidato a apoiar.A provar que não existia essa regra,os apoiantes do candidato apoiado pelo PAICV perdem a razão e legitimidade de acusar AL de "falta de palavra";podem acusa-lo de traição ao partido,mas não de falta de palavra.É,por isso,incompreensível essa estratégia do partido;mas valia centrar a atenção no candidato que apoia em detrimento da "marcação cerrada" ao AL (aliás,é compreensível se tivermos em conta que o que está em jogo é muito mais do que a "rebeldia" de um militante).Se,pelo contrário,era do conhecimento dos 3 pré-candidatos que quem não conseguisse o apoio tinha de desistir e,mesmo assim,AL avançou com a candidatura,a única saída que lhe restava,a ele AL, era desvincular-se do partido.Afinal,o partido não pode estar sempre e em qualquer circunstâncias acima do cidadão - precisamente, o tema principal que o candidato Aristides Lima vem explorando, a dignidade humana, no fundo, tem a ver com essa dialéctica partido/indivíduo.O que temos visto é que os partidos não deixam espaço para o livro arbítrio,e lidam mal com isso.Mas,infelizmente,isso não é novidade nenhum!
Fraude Democrática
Não podemos tratar como igual ou confundir uma fraude democrática com a fraude eleitoral.Não cumprir uma promessa eleitoral ou faltar à palavra dada não constituem uma fraude eleitoral.O eleitor que "votou enganado" votou no partido ou candidato que ele queria;o partido ou o candidato que foi eleito não cometeu nenhuma ilegalidade e é por isso que o MPD,por exemplo,apesar de acusar o PAICV de fraude eleitoral -por causa da promessa do 13º mês - não avançou com nenhum pedido de impugnação das eleições.Todos os partidos e todos os candidatos "adornam" as suas propostas durante as eleições;é por isso usual a expressão "são todos iguais!".Prometer algo e,depois de eleito,não cumprir;prometer uma medida que se sabe não ser possível implementar,não é fraude eleitoral mas é uma fraude democrática.É cavar a distância entre os eleitores e os políticos e entre o cidadão e os partidos;é descredibilizar a política,os partidos e os políticos.As pessoas,o cidadão comum,muito por culpa dos partidos e dos políticos,confiam cada vez menos e participam cada vez menos na vida democrática.Infelizmente,de fraude democrática os dois maiores partidos do país não podem acusar-se mutuamente.
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Exclusividade
Não sei se o deputado Julião Varela ainda é dirigente sindical ou se neste momento é apenas deputado nacional mas,como tenho lido acusações de falta de ética da parte dele,deduzo que ele está na dupla posição de deputado e sindicalista.Acredito que há mais situações,ou profissões,onde é impossível ou mesmo imprudente conciliar com a actividade parlamentar do que o contrário.É complicado ser defensor da causa pública e ter simultâneamente actividade privada ou defender outros interesses.O deputado Julião Varela,por continuar como dirigente sindical, não é menos ético de que os deputados que são simultâneamente advogados,gestores ou que exercem outra profissão qualquer.Tanto da bancada do PAICV com da bancada do MPD.Quer-se evitar qualquer problemas éticos dessa natureza? A medida é simples:exclusividade como deputado!
Administração Publica
O salto da nossa administração pública,em termos de qualidade,eficácia e eficiência dos serviços prestados,depende em boa parte daquilo que poderemos chamar de profissionalismo na administração pública.Podemos designar o profissionalismo na administração público como sendo o espírito profissional na função ou simplesmente como o comprometimento com a administração pública.No caso de Cabo-Verde,sente-se muito a falta desse profissionalismo.em vários níveis da função pública e,quer queiramos quer não,isso afecta negativamente a prestação do serviço.Em boa parte,a culpa dessa falta de comprometimento é dos partidos políticos que,estando no poder,acabam por partidarizar a administração pública.Não poucas vezes,as pessoas não dão o seu máximo numa função quando sabem que estão nomeados temporariamente ou que podem vir a ser substituídas quando mudar o governo.E o pior é que as vezes nem é preciso mudar o partido no governo,basta mudar os ministros para que mude os dirigentes.O que a administração pública em Cabo-Verde também precisa é de trabalhadores e dirigentes que "metem a mão na massa", independentemente do partido no poder.
domingo, 3 de julho de 2011
Livro
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Ser Justo
Porque será que, para a “taxa de estrada”, recorreu-se ao princípio de «utilizador-pagador» e não se falou no mesmo princípio quanto à taxa de iluminação pública? Na primeira, quem vai pagar são aqueles que fazem uso das estradas com respectivos automóveis, evitando assim a injustiça de pôr pessoas que não tem carro a pagar a taxa; na segunda, todos vão pagar a taxa, independentemente de usufruírem ou não da iluminação pública na sua zona de residência. Uma pessoa que mora no fundo da antiga floresta do Bairro Craveiro Lopes, onde não existe iluminação pública, também vai pagar a taxa.É justo cobrar indiscriminadamente a todos,pouco importando quem tem acesso ou não tem iluminação pública ?
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