O empresário Marcos Rodrigues, apesar de ter criticado a retórica política sobre o assunto, apresentou o típico discurso dos políticos: "que o empreendedorismo é apenas aquele inovador; que abrir uma loja ou engraxar sapatos não faz de ninguém um empreendedor". Logo a seguir entra em contradição quando diz que os emigrantes cabo-verdianos são empreendedores, incluindo, digo eu, aqueles que são apenas sub-empreiteiros, aqueles que vendem comida nas obras ou aqueles que têm pequenos restaurantes, lojas, bares ou firmas de limpezas. E apresentou a ideia completamente atrasado de que o empreendedor é "o homem solitário e extraordinário que corre atrás da realização pessoal". Para que conste: tudo isto é empreendedorismo. Apenas são empreendedorismo de diferentes tipo (uma leitura diversificada e actual serve para desfazer muitas ideias ultrapassadas).O Nilson falou o que deve ser falado quando se discute o empreendedorismo em CV,quando se referiu ao papel das instituições (sociais) formais e informais. Mas, acto desculpável por não ser sociólogo,ao tentar salientar o papel das instituições informais no empreendedorismo, confunde tudo quando diz que o "caboverdiano tem "cariz empreendedor porque desde pequeno queremos ser médicos; aviadores". Ora é exactamente o contrário disso: não se vê os pais a incutir nos filhos o espírito empreendedor. Simplesmente, querem que os filhos estudem para poderem vir a ter um bom cargo no Estado.
De tudo o que foi dito, não disseram o mais óbvio: em Cabo-Verde ainda não temos uma política de empreendedorismo. Existem, por enquanto, apenas discursos e programas pouco ou nada integradas entre si. E, ao menos isso, políticas de apoio às PME´s.