sexta-feira, 10 de julho de 2009

Aversão ao Risco

Muitas pessoas,principalmente aquelas que têm formação na área de gestão e economia,defendem que uma das principais razões da taxa do empreendedorismo ser baixo é porque os caboverdianos,principalmente os mais jovens,têm um alta aversão ao risco.A ideia é que as pessoas têm medo de investir o seu dinheiro abrindo uma empresa que pode falir e,por isso,procuram encontrar um emprego no Estado ou numa grande empresa para não correr o risco de perderem o seu dinheiro.Como é que se pode reduzir essa aversão ao risco e o medo de criar uma empresa?Existe um mecanismo no mundo politico que pode ser perfeitamente adaptado a este sector:falo do "subsídio de reintegração" (não tenho a certeza como é o nome) que os políticos têm direito quando deixam a vida política e regressam à sua anterior actividade profissional.Poderia-se criar um fundo de transição para aqueles que criaram uma empresa e que,por diversos motivos,veio a falir ou a fechar (óbviamente nem todos terão direito a esse fundo).Esse fundo funcionaria como que um subsídio de reintegração dessas pessoas que,deste modo,não se senteriam totalmente desemparado depois do fecho da empresa que criou.Seria uma medide de segurança para aqueles que tencionam arriscar e abrir uma empresa.

8 comentários:

Amilcar Aristides - TIDI disse...

Nem sei a quem me dirigo e quero faze-lo com respeito mas com a devida critica.

Não são os quadros que defendem e fazem a associação entre o nivel de empreendedorismo e o risco. A literatura de empreendedorismo explica isso e de forma mt mais abrangente do que se apresenta.

O livro, "Segredo de luisa" é uma literatura interessante sobre este aspecto. http://www.faroldacciss.org/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=83&Itemid=79

Certamente o nível de aversão ao risco é sem dúvida um diferencial entre o investidor, empreendedor ou empregado. Não será o único factor, mas é um dos.

A outra questão que coloca é outra questão que roça a primeira. A ideia do fundo de reintegração é propria dos conceitos aversos ao risco e à responsabilidade.

A falência pelo prejuizo que gera devia ser julgado em tribunal até a dissolução completa e minimização dos prejuizos de todas as partes.

Não sei se concorda, mas só a ideia do fundo amortece o sentimento da responsabilidade na gestão. Tem de haver rigor na administração de recursos. A ajuda pública só em caso de catastrofe.

No nosso país, não há registos de falência de empresas, segundo o DOING BUSINESS 2008.

1abrx

Edy disse...

Tidi,
não entendi essa tua frase inicial:"Não são os quadros que defendem e fazem a associação entre o nivel de empreendedorismo e o risco"!
A ideia do fundo é ainda pouco difundida na literatura de empreendedorismo,mas tem vindo a ganhar alguma visibilidade e esta implementada em alguns países como,por ex,no Canáda (veja este artigo do economista especialista em empreendedorismo,Louis Jacques Filion-http://www.oei.es/etp/roteiro_desenvolver_empreendedorismo_filion.pdf).Embora a primeira vista possa parecer,não concordo que esse fundo possa "amortecer o sentimento de responsabilidade na gestão" pelo simples facto de não acreditar que alguém cria uma empresa e depois a vá gerir de uma forma irresponsável.Por outro lado,um empreendedor que abriu a sua empresa recentemente deve ter obrigatoriamente ajuda da ADEI (e devia ter também das associações empresariais)na gestão,em forma de consultadoria de gestão ou outras formas.A ideia do fundo é atenuar a aversão ao risco e não criar um "sentimento de irresponsabilidade" ou facilitismo.E seria apenas uma mecanismo de "reintegração" e não uma "reposição" do dinheiro que o investidor investiu para criar a empresa.É apenas para reduzir as perdas.Seria um espécie de subsídio de desemprego após o fecho da empresa.Um fundo de transição de empreendedor/pequeno empresário à empregado por conta de outrem.
Abraço

Edy disse...

É verdade,não te respondi à questão das falências.E vou-te responder com uma pergunta: achas que as empresas em CV são todas sobriviventes e não entram em falência ou simplesmente que as autoridades não se dão conta das empresas que faliram ou fecharam?Pessoalmente,acredito mais na 2ª hipotese...e isso é porque as finanças,o ine,o minist. economia,etc etc,não se "comunicam" nem cruzam os dados entre si...
Abraço

Amilcar Aristides - TIDI disse...

A ideia foi sua: "... principalmente aquelas que têm formação na área de gestão e economia,defendem que uma das principais razões da taxa do empreendedorismo ser baixo é porque os caboverdianos,principalmente os mais jovens,têm um alta aversão ao risco..."

Estava discordando dessa introdução mas vejo que defendes de forma vincada o apoio e até identificas quem deve apoior: A ADEI.

Em determinadas áreas é necessário que o estado prepare o terreno para o empreendedorismo, mas esta é uma actividade que deve partir da iniciativa própria sabendo dos riscos e das dificuldades. O estado pode até preparar terreno mas o risco é do privado.

Subsidio de integração é de absurdo. Desculpa mas é assim que sinto. O estado não pode dar cheques em branco a ninguém. Esse tipo de ideia é falacioso pq retira a responsabilidade da inicitiva privada que fica eternamente refém do estado - papai. Lembra-se da era do paternalismo. Pois é não pode ser assim.

Recordo-lhe que as empresas vão à falencia principalmente por erros na gestão. E não é porque se quis gerir mal, mas estar descapacitado para gerir e gerir mal é irresponsabilidade. Não há desculpas nessa área.

Edy disse...

Tidi,
- quanto ao 1º ponto,podemos perfeitamente falar apenas na "teoria económica"...
- é óbvio que o risco de empreender é sempre do empreendedor.Aceitando que muitas pessoas não avançam por medo de ariscar,deve ser o estado a incentivar;doutro modo,posso sempre ficar a pensar que,para ti,só aqueles que possuem uma capacidade "inata" para empreender pode entrar nesse "jogo" e que incentivar o empreendedorismo numa sociedade deve ficar restrito aos discursos de apelo ao empreendedorismo por parte dos politicos...
- quanto ao fundo,não é nem pretende ser um subsídio capaz de retirar "responsabilidade" às pessoas.Acho que não entendeste a ideia ainda.Não há aqui nenhum subsídio por parte do estado,nem perigo de subsídio-dependência em relação ao estado.Simplesmente porque o estado não vai financiar as pessoas no processo de criação de empresa.Nem é uma maneira de dizer as pessoas "criem a vossa empresa,se não der certo devolvemos o vosso dinheiro".Cria-se o fundo unicamente com o intuito de REDUZIR A AVERSÃO AO RISCO.Importante: esse fundo tem de ser temporário e pode até ser criado com recursos exclusivamente dos privados ou mista (existe várias formas de fazer isso)...
- estou enganado ou defendes mesmo que só aqueles que estão capacitados para gerir é que devem criar empresas??É que essa ideia é totalmente contrária ao ideal de construirmos uma sociedade empreendedora e,se falei na "ajuda" por parte da ADEI é,especialmente,para aqueles que não possuem essa "capacidade" de gestão...

Amilcar Aristides - TIDI disse...

Caro Edy,

Acho que não estamos a nos entender mt bem.

O empreendedorismo ensina-se, aprende-se mas há tb aqueles que já nascem com a veia. Isso é um ponto claro a meu ver.

Outro aspecto que se associa ao empreendorismo é a propensão ao risco. Mesmo sendo pouco averso ao risco, o individuo pode empreender. Não disse que não.

E isso está relacionado à cultura de um povo. Há povos mais empreendedores e outros menos e entre os empreededores há certamente níveis de risco aceitaveis para cada um.

Não se pode usar o Estado para financiar a aceitação do risco. Isso se consegue com educação e com a melhoria do ambiente de negócios.

Aí sim é a vez do estado actuar, tornando atractivo o investimento dos nacionais.

Continuo com sérias reservas à tua proposta de fundo. Simplemente não é prioritário e nem relevante para o actual a ambiente de negócios que é dos priores do mundo e vem caindo ano a ano.

Gostei do link que partilhas-te e já baixei o documento.

outra questão que colocas estou enganado ou defendes mesmo que só aqueles que estão capacitados para gerir é que devem criar empresas?

Fazendo uma analogia eu diria que gerir empresa é igual conduzir um autocarro cheio de gente/necessidades/aspirações etc. Não precisas ser mecanico, mas tens de saber o que estás a fazer e se as coisas estiverem a correr mal tens de saber recorrer ao expert.


Vi o teu outro post que questionas se a gestão é só para gestores e acho que há aí uma grande confusão. Não há corporativismo de classe, precisas de carteira para dirigir mas não precisas é ser mecanico. Tens é de estar habilitado para a função que desempenhas.

1abrx

Edy disse...

Tidi,
dizes que "Não se pode usar o Estado para financiar a aceitação do risco" mas eu já tinha dito anteriormente que "esse fundo tem de ser temporário e pode até ser criado com recursos exclusivamente dos privados ou mista (existe várias formas de fazer isso)";
concordo que podemos conseguir a aceitação do risco através da educação e com a melhoria do ambiente de negócios,como dizes,mas é insuficiente porque,a depender so dessas variáveis,nos países onde se ensina o empreendedorismo desde o ensino primário ou secundário e onde o ambiente de negócios é bem melhor não haveria aversão ao risco ou ela seria bem menor...e elas existem..e é por isso que alguns países,como o Canadá,onde de certeza o ambiente de negócios é melhor do que o nosso,existe esse tipo de fundo.Podia falar aqui que aversão ao risco é socialmente determinada,nas estruturas socias,no habitus (de Pierre Bourdieu)mas seria uma discussão longa e aqui...talvez um dia discutimos isso ao vivo.
Abraço

Amilcar Aristides - TIDI disse...

Ok Edy,

Continuo a não concordar com a tua posição, mas a dialética é mesmo essa.

1 abrax
TIDI