Em África, todas as manhãs, uma gazela acorda. Sabe que tem de correr mais depressa que o leão, ou será morta. Em África, todas as manhãs, um leão acorda. Sabe que tem de correr mais depressa que a gazela, ou morrerá de fome. Não interessa se és leão ou gazela. Quando o Sol nascer, tens de correr mais depressa...se queres continuar vivo.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Nova Gerações de Politicas Urbanas: "empreendedorismo regional"
O empreendedorismo (criação de empresas) pode e deve ser incentivado pelas politicas camarárias de apoio a criação de empresas em cada região/cidade contribuindo assim para o desenvolvimento regional.Assim,cada câmara municipal cria um gabinete ou até uma empresa para desenvolver e gerir politicas e programs de incentivo ao empreendedorismo na respectiva região.È o caso,por exemplo,do programa Amadora Empreende,da Câmara Municipal da Amadora,e a empresa DNA Cascais,da Câmara Municipal de Cascais (são 2 exemplos que,se ainda não é,deveria ser seguida e implementadas pelas nossas câmaras).Se não se enveredar pela moda de apoiar apenas o empreendedorismo tecnológico/inovador,apoiando projectos de jovens de todos os estratos sociais,é uma medida que poderá ter algum impacto no combate ao desemprego e deliquência juvenil nas zonas urbanas.Espero,sinceramente,que o programa político do actual presidente da câmara da Praia contemple uma medida parecida...
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Blog Joint:Turismo em CV
È consensual a ideia que o actual estado do desenvolvimento turístico em CV não é o ideal nem o desejável sendo apontado,por um lado,o pouco impacto que o turismo teve ainda no desenvolvimento regional (os turistas não fazem compras e não usufruem da oferta cultural fora do hoteis) e,por outro lado,os maléficios inevitáveis do turismo de massa (prostituição,deliquência juvenil,drogas,etc).Paradoxalmente,essa massificação não se vê pelas ruas,montanhas,restaurantes ou bares do país porque permitiu-se a oferta abusiva,por parte das empresas turisticas,de pacotes em que os turistas não tem de sair dos hoteis;inclusive empresários estrangeiros que "compraram" parte "pedacinhos do mar criolo" (tarrafal de santiago) e hotéis onde não pode entrar caboverdianos (boavista).Ou seja,desde cedo,pelo menos nesses 2 casos,o desenvolvimento turistico foi sinónimo de privatização do espaço público.Por outro lado,a nível institucional,existe uma completa sobreposição de funções entre a Cabo Verde Investimentos e a Direcçao Geral de Turismo (este,funcionando apenas com 2 funcionários) sendo que,muitas vezes,a 1ª faz o trabalho que deveria ser feita por esta última.Essa sobreposição ou,se quisermos,a indefinição de quem deve fazer o quê,verifica-se também na promoção do país enquanto destino turístico.Caberá à CaboVerde Investimentos a promoção do país para atrair investimento estrangeiro em qualquer sector económico e caberá à Direcção Geral de Turismo as campanhas publicitárias internas e externas do país para atrair turistas estrangeiros e nacionais.Sendo que essas campanhas têm custos elevados,acho que seria razoável fazer um acordo entre o estado e as empresas/agentes do sector para se criar um fundo aútonomo destinado a gastos com promoção do país enquanto destino turístico.Talvez a partir daqui poderemos criar e elaborar campanhas publicitárias e um roteiro turístico mais profissional.È importante uma redifinição de papeis para estas duas 2 instituições estatal e é preciso urgentemente uma separação entre o turismo e as questões dos terrenos,que tem minado não só a economia mas também a sociedade.Também é consensual entre todos a aposta que o país deveria fazer:turismo cultural,turismo rural,turismo de montanhas/desporto radical,etc.Ao fim e ao cabo,isso tudo,a meu ver,significa isto:turismo de qualidade em detrimento do turismo de massa.Turismo de qualidade suportado por profissionais da área também de qualidade (daí a importância da escola profissional do turismo que deverá abrir brevemente).Felizmente que,aqui e ali,temos tido alguns casos de turismo de qualidade:veja-se o caso do hotel do empresário conhecido por "Tatone",em Santo Antão,um exemplo a seguir e que merece maior atenção.Porque devemos começar a valorizar o que é bem feito pelos caboverdianos e para Cabo Verde.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Mais Viaturas de Luxo para C.M. da Praia?
"Que se cuide Sr. Ulisses porque continuamos de olhos abertos para denunciar as suas “falcatruas”. No meio dessa salada conflituosa, os munícipes da Praia não compreendem a tamanha proeza do Sr. Presidente de comprar mais três “Jeeps Prados VX” para os vereadores Óscar Santos, António (Tober) e uma para as vereadoras, no valor de 5. 900.000.00 (cinco milhões e novecentos mil escudos) cada, totalizando o montante de 17.700.000.00 (dezassete milhões e setecentos mil escudos), acrescido ao montante de mais 8.800.000.00 da compra do Jeep V8, o que perfaz o total de cerca de 26.500.000.00 (vinte e seis milhões e quinhentos mil escudos) para quatro viaturas de luxo." Joel Abraão L. R Semedo,in A Nação,29-01-2009.
A ser verdade esta passagem do artigo citado,não há razões para se estar contente com o edil da minha cidade.Tirar comerciantes e rabidantes das ruas do Platô,conseguir germinações com camáras estrangeiras e apresentar planos para concretização futura,entre outras medidas pontuais,não é suficiente para glorificar este presidente.Pessoalmente,acho que ele só conseguiu ganhar a camára da Praia porque os praienses acreditaram que com ele a frente da edilidade seríamos confrontados com práticas de gestão mais transparente e,principalmente,maior rigor,eficácia e parcimónia na gestão do bem público.Bem sei que,estando fora do país,não poderei fazer um juízo categórico da acção do senhor presidente mas,convenhamos,pelas noticias que tem vindo ao público,mesmo descontando algum exagero da politiquice-obligé por parte da oposição,não abona nada de positivo para uma boa carreira a frente da camára.Pelo menos,e por ora,aparentemente.A aparência conta e,mais ainda,os discursos que fez enquanto era oposição têm de corresponder à prática.E o homen tem todo o tempo do mundo para arrepiar caminho....quer dizer,se realmente resolver ficar e candidatar a um novo mandato camarário em detrimento duma candidatura à 1º ministro pelo MPD. Até lá,gostaria muito que ele realmente fosse e trouxesse algo novo ou,pelo menos,algo de diferente para a minha cidade.
Jovens delinquentes julgam jovens delinquentes
Pelo Time Dollar Youth Court, em Washington, passam perto de mil casos por ano. A taxa de reincidência é quase metade da nacional..O objectivo é evitar que os jovens delinquentes entrem no sistema judicial geral dos Estados Unidos - após o que, provam vários estudos, têm uma forte probabilidade de se tornarem reincidentes. O TDYC é um tribunal à margem do sistema, mas que é por este reconhecido e financiado - a Governo federal assegura actualmente um terço das verbas do tribunal.
Para quem quer continuar a leitura,é só cliclar em cima do texto.Entretanto,acham que é ou não uma boa ideia?Parcendo-me também uma forma de responsabilizar os jovens,acham que seria exequível aplicar essa ideia em Cabo Verde?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Google is Watching You

A Google,uma das empresas mas inovadoras do mundo,acabou de lançar a Google Latitudes que é uma funcionalidade da Google Maps.A ideia é "mapear" a localização duma pessoa através do número de telemóvel: se quiseres saber onde "ele" ou "ela" está num dado momento do dia é só clicar na "google latitudes" no seu telemóvel,colocar o numero de telemovel dele ou dela e...voilá,ele ou ela está na rua x,porta y.Alguns dirão que isso é,nada mais nada menos,tornar realidade a novela "1984" de Orson Wells. Ah,importa dizer:este instrumento,infelizmente para alguns,não está ainda disponível para CV!
A Crise Económica Mundial em CV
Ao contrário do que o João Branco questiona aqui,o fecho de lojas chinesas não é nenhum facto digno de constituir um sinal de que a crise económica mundial "sabe do nosso paradeiro".Mesmo sem a crise,essas e outras lojas chinesas e até empresas de outras sectores poderiam fechar as portas e,isto,nada mais é do que «a dinâmica da economia».Essa crise económica já chegou sim a Cabo Verde e o seu efeito tem se sentido num dos sectores económicos mais exposto às oscilações da economia internacional: o sector turístico.Esses sinais já tinham sido noticiados aqui desde Novembro de 2008 e,esta semana,os despedimentos em hóteis da ilha do Sal foram por 2 vezes noticiada na RDP África (é estranho esses despedimentos não serem noticias,pelo menos,nos jornais online).O mais preocupante ainda é que,num país de desenvolvimento médio,alguêm que tenha a infelicidade de perder o emprego não possa contar com um subsídio de desemprego ou qualquer tipo de ajuda na procura de novo emprego ou na reconversão da carreira.Um trabalhador que vai para o desemprego fica completamente desemparado e entregue à família e à "cunha" para arranjar novo emprego.È por isso que acho que o IEFP não está a cumprir na totalidade o seu papel uma vez que demonstra muito mais dinâmica e interesse na área de formacão profissional do que com o emprego/desemprego.É compreensível que a nível estatal não exista ainda a possibilidade de criar o subsídio de desemprego por causa da nossa histórica falta de dinheiro.Mas,se se desconta para a segurança social/previdência social unicamente para a reforma e para apoio na saúde,porquê um trabalhador não pode fazer esses mesmos descontos no sector privado?Sim,estou a pensar na liberalização da segurança social: cada qual remete o seu desconto para onde acha que lhe é mais vantajoso (no privado ou no público).Repito,estou a falar em liberalização e não em privatização da segurança social.Ou seja,mantém-se os 2 sistemas porque o sector público tem a sua importância,principalmente na altura de crises económicas.Provávelmente essa é uma possibilidade já existente em CV-confesso que não o sei dizer;por outro lado,será que as empresas privadas de seguros já comercializam um produto tipo "seguro de desemprego"?
Desculpem-me a pergunta: não será justo uma pessoa desempregada ter direito a um subsídio temporário de desemprego após anos a descontar para a previdência?
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Buy American
A União Europeia e o Canáda advirtiram os Estados Unidos que poderão apresentar uma queixa na Organização Mundial do Comércio por causa do programa "Buy American" incluído no plano de relançamento da economia do presidente Obama.O programa,com a boa intenção de estimular a economia interna,consiste em fazer com que as empresas que estão a beneficiar da ajuda financeira do estado comprem e utizem produtos americanos produzidos por empresas norte-americanos, ficando assim de fora empresas de outros países.Ou seja,a leitura que se fez foi a seguinte:"as empresas estrangeiras que desenrasquem porque nós estamos a tratar da nossa economia;nessa crise,é cada país por si".Ficou eminente uma "guerra comercial" contra o proteccionismo do governo norte-americano.Eis em exemplo de como,cada vez mais,uma política interna têm de ser pensada e planeada levando em consideração o plano internacional.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Contrariando Ideias Feita
Na edição de 22-01-2009 do jornal "A Nação" somos convidados a ler o artigo "Empreendedorismo numa perspectiva histórica" (na versão online não aparece o nome do autor,mas suponho,pela linguagem,que se trata de um economista/gestor),dizia,artigo esse com algumas imprecisões históricas e conceptuais e,por isso mesmo,que não ajuda no fomento de uma sociedade empreendedora.Começamos pela imprecisão histórica: ao contrário do que diz o articulista,o termo empreendedorismo não foi utilizado pela 1ª vez pelo economista Joseph Schumpter e muito menos em 1950;o economista francês do séc xviii, Richard Cantillon terá sido o 1º responsável pelo aparecimento do conçeito empreendedorismo no seu livro Essai sur la nature du commerce en général (1755).Ainda temos,entre outros,o Adam Smith (1776),o John Stuart Mill (1848),o Jean Baptiste Say (1803),Alfred Marshall (1842) e só depois o Joseph Schumpter (1934).A novidade que Schumpter imprimiu ao conçeito foi ligar o empreendedorismo com a inovação.Ainda de acordo com o articulista,o empreendedorismo "designa os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seus valores, seu sistema de actividades e seu universo de actuação" e o empreendedor sera "qualquer indivíduo que tenha características que o leve a desenvolver actividades de criatividade e inovação seja no seu local de trabalho, no bairro onde mora, com objectivo de, por exemplo, melhorar a qualidade de vida dos moradores, ou da sua vida pessoal buscando maior estabilidade ou um crescimento cultural é um empreendedor".
Ora cá está uma definição tipicamente economicista:o empreendedor como aquele que assume o risco.O empreendedorismo é visto como sinónimo de pró-actividade e dinamismo numa organização,empresa ou numa comunidade.Ou sejá,quem não for dinámico e activo e não gostar de assumir riscos não é um empreendedor.Indo aos extermos,a ideia é que "nasce-se com o genes do empreendedorismo no dna" e,portanto,nem todos podem ser empreendedores.Definição essa,contudo,errada e contrária,por ex,a ideia duma formação profissional em empreendedorismo (afinal de contas,ainda não se sabe como ensinar àqueles que não nasceram com o tal gene a serem mais propensos a assumpçao de riscos).O risco é uma característica dos negócios em si e não uma caracteristica da personalidade dos empreendedores.O empreendedorismo,o seu estudo,bastante complexo porque necessáriamente multidisciplinar (sociologia,economia,antropologia e psicologia),é visto como um processo sujeito a diversas influências e não como algo estático e repetitivo;está dependente das variações individuais bem como do contexto social que influência o empreendedor e é por ele influênciado.O empreendedorismo começa com a sua essência: reconhecimento de oportunidades!
domingo, 1 de fevereiro de 2009
O Que Pode Fazer a Sociedade Civil pela Cultura?
Falta de dinamismo,pouca visibilidade do sector,ausência de investimento,falta de políticas para os vários sectores da vida cultural,falta de infraestruturas culturais (cinemas,teatros,museus,galerias de arte,etc),pouca ou nenhuma formação dos e para os quadros do ministério e para os agentes culturais,a incapacidade de controlar a pirataria,a questão da oficialização do crioulo e,escassez de verbas e ajudas aos artistas e,até,a incompetência do ministro da cultura.São essas,entre outras,as principais critícas que se tem feito ao ministério da cultura e ao seu actual titular.
Contudo,com razão ou não,temos,nós e os agentes culturais,de questionar: o que faz a sociedade civil para dinamizar a cultura em Cabo Verde?
Tivessemos nós mais tradição e hábito em agruparmos em associações,grémios ou movimentos teríamos um sector cultural mais dinámico.È claro que já se faz e já se fez isso e,alguns,com sucesso (o mindelact e os grupos associados é um exemplo).O que temos são inúmeros exemplos de movimentos ou associações com pouco anos ou meses de vida sem chegar a idade adulta.Se calhar,mesmo correndo o risco de estar a ser injusto,essa é uma das nossas principais características:não temos força anímica suficiente para mantermos ao longo dos tempos uma associação de âmbito cultural.Todos que surgem,em pouco tempo,desapareçem maioritariamente por "falta de comparência".Imaginem o que podería fazer pelo cinema uma Associação Caboverdiana do Cinema e Teatro (que juntasse os profissionais e os consumidores),uma Organização Nacional de Músicos (que podia ajudar na agenda dos festivais ou ajudar e apoiar os músicos),uma Organização de Livreiros e Editores,etc,etc.
Não teriam todos,em conjunto,maior poder de pressão e influência junto do ministério da cultura?As empresas não apoiariam mais fácilmente uma associação em detrimento de um artista individual,beneficiano assim da lei do mecenato?E o mediador que o Abrãao diz estarmos a precisar,não é uma figura tipo um curador de arte ou crítico literário/música/cinema/arte (faz falta um curador e críticos qualificados em CV);esse mediador,fruto do baixo nível cultural do país, é algo ainda incipiente em Cabo Verde: o mercado (o mercado cultural,se quisermos).È o mercado que faz a mediação entre a mediocridade e a excelência em cada segmento cultural.
Temos todos,nós e os artistas,criticando e agindo individualmente e,aparentemente,sem resultados.Que tal se tentarmos criticar e agir colectivamente através de associações de cada sector cultural?E,para ter maior peso,criar uma rede de acção cultural que engloba todos os sectores da vida vida cultural?
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