quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Corrupção


Este post é para responder a um desafio do Salim: uma proposta concreta de combate à corrupção!Considero que,na mesma medida que é urgente combater a corrupção,também é urgente acabar com a mania de suspeitar gratuítamente de todos os que são "aparentemente" ricos.Em CV,culturalmente,é quase um crime ser se rico ou até apresentar sinais exteriores de riqueza.E essa "cultura de remediados" é contraditório e prejudicial ao fomento duma cultura empreendedora no país.Não faço ideia se essa medida já existe em CV ou não,mas acho que pode ser útil:Inversão do Ònus da Prova (a regra em direito é que,quem alega um determinado facto,tem a obrigação de porvá-lo;ou seja,se o Estado alega que alguêm é corrupto é o próprio Estado que tem de provar esse facto.È o que se chama de ónus da prova.A inversão do ónus da prova verifica-se quando é a parte que tem de apresentar as provas,ou seja,o suspeito tem de apresentar provas para justificar os sinais exteriores de riqueza).

13 comentários:

geracao20j73.blogspot.com disse...

Estou totalmente de acordo, a riqueza espontânea devia ser justificada pelos seus detentores. Mas fica a pergunta que não quer calar: serão os agentes políticos da casa parlamentar no geral políticos corajosos o suficiente para romper com este estado de coisas? Se o Parlamento der este sinal para a sociedade a população parará a confiar muito mais nos políticos e a democracia cabo-verdiana ganhará bónus de amadurecimento.
Rony Moreira

João Branco disse...

Pode servir para alguma coisa, mas a base onde a grande corrupção germina é na pequena corrupção. Aquela
do "dar um jeito", do "expediente", do "favorzinho", do "fitcha odjo", do "discontraí ke mim é amigu di...", etc. A partir daqui, das mentalidades, tudo é possivel. Ou se mudam estas, ou arriscamo-nos a estar a mudar o telhado de uma casa que tem as fundações podres.

Abraço fraterno

Salim disse...

Edy,

Realmente, uma excelente proposta. Eu, como tu, também defendo a mesma coisa em relação aos sinais exteriores de riqueza.

Se noutros países mais "desenvolvidos" já se faz isso, porque não em CV?

João, tens alguma razão quando falas da pequena corrupção e tens razão absoluta quando falas das mentalidades. Aí é que está o cerne da questão.

Mas isso não invalida a proposta do Edy.

Isto porque se ficar claro que os que apresentam riqueza para além dos seus meios terão que a provar, muita gente já não terá tanto incentivo para, por exemplo, ser traficante, porque sabe que não poderá usufruir de um dos maiores gozos do caboverdiano: a ostentação e o show off.

E isso poderá ter um efeito positivo no sentido de sermos menos corruptos no dia-a-dia (contribuindo, assim, para atenuar a pequena corrupção).

Bali Edy, kanpeon! ;-)

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Salim disse...

Quanto ao que disse o Rony: nem mais!

Temos é que começar a pensar em maneiras de forçar os políticos a ouvir-nos, porque é mais do que óbvio de que eles estão-se nas tintas para nós.

Se nós não forçarmos a barra, ficaremos a ver navios. Teremos que ser mais criativos e ousados.

Bali

Redy Wilson Lima disse...

Concordo com isso, a minha questão é: será que os políticos tem cojones para propor isso no Parlamento, sabendo que na campanha acusam-se um ao outro a torto e a direito?

Edy disse...

Uma vez que todos concordam com a ideia e,também todos,salientam a questão de saber se os nossos políticos estão ou não preparados para darem esse passo,resta-me uma pequena provoação a vocês todos,Redy,Rony,João e Salim: estão vocês e estamos nós todos preparados para mudar o estado das coisas mesmo que entrando em grupos,ong´s,associações e mesmo partidos e/ou movimentos politicos?È que,vendo que os actuais politicos não querem fazer nada,muitas vezes só conseguimos mudar algo de dentro para fora...

Redy Wilson Lima disse...

Tocaste num ponto pertinente. Eu sempre defendi (nunca no blog) que às vezes dá a sensação que só havia 2 vias possíveis para mudarmos o rumo das coisas:
1 - a minha veia anarquista leva-se à revolução (organizar megas protextos nas ruas prontos para o que der e vier)
ou
2 - organizar um forte grupo de pressão (estilo sociedade secreta - ideia trocada uma vez com o hiena sobre o aparecimento de um movimento de activismo social e político de raíz socialista), como existe noutras paragens. Se o entenderm como uma espécie de maçonaria, então maçonaria será. Mas, isso sou eu e a minha loucura, embora, da forma como vão as coisas, só assim vejo a mudança.
No entanto, é evidente que a maioria não está preparada, nem com vontade de uma coisa destas dimenssões.

Salim disse...

Edy, eu estou aberto a todas as opções, excepto os partidos políticos, porque acredito que a mudança só poderá vir de fora para dentro.

O oposto é um truque e uma ilusão para enganar os mais incautos: "se queres mudar as coisas, tens que fazer parte" (para te adaptares ao sistema).

Comparação radical: não se muda a Máfia tentando chegar a chefe para depois reformá-la. Para se chegar a chefe tem-se que tornar mafioso.

Por seu lado, o sistema político produz políticos. Quem entra ou torna-se político e prospera, ou resiste e fica para trás. Não há meio termo.

A solução é uma sociedade civil forte, com grupos, ONGs, associações, e indivíduos formados e críticos, capazes de pensar pela sua própria cabeça.

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Edy disse...

Salim,
essa comparação é mesmo radical mas há uma pequena diferença:enquanto a intenção é MUDAR a política e os partidos,no teu exemplo a intenção é ACABAR com a máfia e não mudar.
Concordo que é muito dificil mudar os partidos e a politica.Uma só pessoa bem intencionada não o consegue sozinho;é preciso uma maioria para mudar o «sistema eleitoral» e para mudar o «sistema partidário».Sabes,meu amigo,que estou cada vez mais convencido que o meio mais rápido e mais eficaz de "vivermos" essas mudanças é,através de um movimento político novo,ir a votos?Esse novo movimento politico,claro esta,que teria de ter práticas organizacionais completamente diferente dos partidos politicos mais antigos:novas formas de recrutamento de candidatos,novas formas de elição interna,etc etc...Temos de pôr a mão na massa para mudarmos o essencial...

Salim disse...

Edy,

Esta nossa discussão chegou a um ponto interessante, que no fundo eu já previa: um novo partido (diferente) para mudar o sistema.

Seria agora o momento que eu te daria algo inesperado para reflectires e para baralhar completamente as tuas ideias.

Mas é aqui que entra a desvantagem da internet, porque não é algo que te possa explicar ou demonstrar virtualmente.

Um dia haveremos de ter a oportunidade de cruzar caminhos (todos nós: tu, eu, o Redy, o JB, etc), e aí presentearemos uns aos outros com os nossos trunfos. Hehehe. ;-)

Um abraço

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Redy Wilson Lima disse...

Caros amigos, não falava num novo partido, mas sim um movimento activista de cariz social e político. Não, não é a mesma coisa. É um movimento social capaz de influenciar os estados das coisas. E sim, é possível. Só querermos.

Edy disse...

Salim,
esse dia em que vai chegar...qd encontrar-me ctg vou te cobrar essa "informação"...

Redy,
tenho algumas dúvidas se em CV será possível CRIAR COM SUCESSO um movimento activista...

Redy Wilson Lima disse...

Acredita que sim. Como disse Che Guevara, impossible is nothing. E depois, nunca o saberemos se não tentarmos.