quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Impressões

A discussão gerada no Bianda e no Café Margoso por causa do »caso Murdeira» deixou-me algumas impressões:
 
   1) viver num Estado de Direito não é e nem deve ser sinónimo de viver num Estado de Ditadura do Direito,principalmente quando sabemos que o nosso legislador preocupa-se muito pouco em basear em estudos cientificos de carácter sociológico,antropológico ou económico da nossa sociedade para elaborar as leis (bem sei que,durante a formação académica,não aprendem isso mas para elaborarem leis bem feitas urge trabalhar conjuntamente com outras áreas de saber).A lei nem sempre está bem feita e,muitas vezes,não está em consonância com a realidade social do país;portanto há que saber relativizar a força das leis;
    2) da leitura dos comentários nos 2 blogues,principalmente dos supostos técnicos do ministério do ambiente,fiquei com a impressão de a componente sociólogica do estudo de impacto ambiental não foi tido nem achado.Ou seja,esse estudo do impacto ambiental foi feita apenas com a parte técnico-ambiental e económico?Parece-me evidente os resultados desses aspectos do estudo;mas,e o resultado do impacto sociológico,qual foi?Alguêm saberá responder-me?

5 comentários:

João Branco disse...

Não sabia que já havia essa, dos "Estudos do Impacto Sociológico"! hehehe

Entendi perfeitamente a tua ideia, não leves a mal, mas se nem com os estudos de impacto ambiental nos entendemos, imagina agora esse promotor e revolucionário EIS!

Abraço

Redy Wilson Lima disse...

amigo, vou te contar uma coisa. Em 2005 fui convidado para realizar um estudo sócio-económico na zona da São Francisco, Portete de Baixo e São Tomé pela Loid engenharias, com dinheiro irlandês. O objectivo era ver o impacto do empreendimento na vida das populações, as suas expectativas e de que forma poderiam ser enquadrados. Sabes o que aconteceu ao estudo original? Metido numa das gavetas da CMP, depois de ter sido modificado por alguém porque acharam que perderiam dinheiro se levasem em conta o bem estar da população residente. É o país que temos.
No caso da Murdeira, tenho informação que foi feito um estudo de impacto ambiental por um economista, na época funcionário do BCA como caixa e que ganhou muito dinheiro com isso, mesmo sem ser especialista.

Nhu Naxu disse...

Jõao,acho que leste mal.O que eu disse foi "a componente sociólogica do estudo de impacto ambiental" e não "estudos do impacto sociológico".São 2 coisas diferente...Sim,posso garantir-te que em muitos países é obrigatório uma componente que se refere aos ASPECTOS SOCIOLÓGICO DOS ESTUDOS DE IMPACTO AMBIENTAIS.Ou seja,o ambiente não é apenas "as plantas,mar,peixes,condições atmosféria,etc",mas também é a comunidade...daí a importância desa componente nos EIA.Se quiseres algum texto ou até livro sobre o assunto,é só dares uma apitadela..

Nhu Naxu disse...

Mais uma vez João:podes ver no comentário do Redy um ex de estudo sociologico do impacto ambiental.

Redy,infelizmente ainda estamos naquela fase de desenvolvimento em que gastamos imenso dinheiro com estudos para irem para gaveta qd estes não forem de acordo com o nosso objectivo.Isso pq queremos a todo custo obras,obras e obras pq pensamos que é assim que fazemos crescer a economia.E o pior é que mt gente sabe disso e não faz e nem dizem nada..

Cesar Schofield Cardoso disse...

Adoptei a tua expressão Estado de Ditadira do Direito. Achei o máximo.

...É pois, agora somos reféns das leis. Como se essas não existissem para nos servir e reflectir as nossas aspirações